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Série do mês: Sherlock (revisited)

No mês em que estreia, em Portugal, a sequela do filme Sherlock Holmes, a BBC oferece-nos a segunda temporada da mais brilhante adaptação e actualização das histórias do detective de Sir Arthur Conan Doyle, pela mão de Steven Moffat e Mark Gatiss.

Sherlock oferece-nos um detective do século XXI. A série, que começou em 2009 na televisão pública britânica, tem curtas temporadas de três episódios. Para compensar, cada episódio tem 90 minutos, uma duração invulgar para uma série, ainda que se esgote em três curtas semanas. A segunda temporada, emitida durante o mês de Janeiro, terminou com o épico episódio “The Reichenbach Fall”. Quem é fã dos livros, saberá que Conan Doyle tentou matar Sherlock Holmes nas cataratas suíças. Digo “tentou” porque a pressão do público fez com que o escritor fosse obrigado a “ressuscitar” o detective.

Quanto à série, o terceiro episódio termina com (e sim, isto é um spoiler) o suicídio de Sherlock. Mais complicado do que atirar-se de uma catarata, o Sherlock de Moffat atira-se do topo de um prédio e aterra no passeio. Claro que o herói nunca pode morrer nestas coisas e Sherlock espreita por entre as pedras tumulares do cemitério onde supostamente está enterrado, nos últimos segundos do episódio. A grande questão agora é: como é que Sherlock conseguiu fingir a sua própria morte?! Os fóruns na internet e os jornais ingleses discutem as várias teorias mas os criadores da série já vieram dizer que as pistas estão no episódio.

Sherlock merece o título de “Série do mês” pelos seus diálogos – inteligentes, rápidos e cheios de ironia e sarcasmo – e  pela adaptação e, especialmente, pela actualização dos enredos aos tempos modernos. Hoje em dia é difícil vermos uma série onde mecanismos como a internet, os smartphones e a tecnologia actual funcionem tão bem e tão organicamente como em Sherlock. Um email, um blog ou uma app não são um artifício mas uma parte essencial e natural da série. E o mais impressionante é que este Sherlock do século XXI continua sem precisar dessas tecnologias para ser brilhante e desvendar os casos.